Quatro meses se passaram e eu ainda estou aqui chorando, perdida no tempo, esperando que você saia detrás daquela mesma porta que se escondia desde que eu era pequenina...Estou aqui tentando acreditar que essa saudade que me invade, um dia vai descobrir que tudo não passa de mais uma brincadeira de esconder...
Onde estão os olhos que velavam meu sono enquanto na pia a louça do almoço esperava, que aquele amor todo desse um tempinho para cuidar de outras coisas além daquela bebê que de pequena nunca teve nada?
Os mesmos olhos que brilhavam ao contar as peripécias daquela menina de olhos castanhos e cabelos pretinhos...
As calcinhas de babadinho vestidas após o banho, que eram o charme admirado e sempre contado sobre aquela "bolinha" sorridente...
Onde está aquela mulher que percebeu a fome nada pequena, e preparou a primeira mamadeira que realmente satisfez a gulosa bebê?
Que saudade das mãos que percorriam meus cabelos, que os penteavam e trançavam na simplicidade de prendê-los com os retalhos de suas roupas...
A primeira maquiagem... roubada do pó de arroz lá de cima da cômoda... os anéis que me caiam dos dedos...
E o cheiro que invadia a casa quando estava à beira do fogão... onde está aquele doce de banana maravilhoso? E a feijoada? E tudo mais que aquelas mãos cheias de talento criavam e faziam... os pratos que não cansávamos de repetir...
E as histórias? Ah que saudade das histórias!!!
A primeira a segurar minha mão e me levar ao caminho da fé, pois bem, eu sou abençoada que conheci meu anjo da guarda bem de perto, o anjo que me ensinou a cantar pra mãezinha do céu... que me ensinou a rezar...
As idas à feira, as compras no mercado, aquele bombom que sempre vinha na sacola, mesmo depois que aquela criança careca do sorriso vazio se transformou numa mulher...
E o telefone que não toca mais... não ouço mais a voz que em tanto sonos me embalou... que tantos parabéns cantou quando atendi o telefone... em sua simplicidade de ter como presente desejar toda a benção dos céus e felicidade pra vida...
Onde está o meu refúgio quando tudo está ruim? A barra da saia que me escondia e protegia de broncas e alguns tapas que vezes eram até merecidos?
Como me faz falta... o seu amor... o seu carinho...
E o seu olhar? Ah o silêncio que me dizia muito mais do que precisava para me sentir amada... me invadia a alma e a transbordava de tudo que mais belo poderia existir...
Onde está você agora?
Como você me faz falta vó... como queria sentar em seu colo e ficar ali... pra todo o resto de meus dias...
Na verdade... acho que no fundo... um pedaço do meu coração ainda está parado naquela porta, esperando você sair detrás sorrindo e dizendo: cuuuuuuuti!!!